Poesia e desabafos

Porque extravasar é preciso!

8.3.09

Time: Some

Sometimes, it feels like there’s nothing left to say

In fact, it happens everyday

But no one’s quiet anyway

 

Haven’t you ever ever felt the same

Like being in an endless yesterday

But you cannot yet win the game?

 

I try to get it with all my might

It’s been like this for a long long time

Why don’t you just come around tonight?

We’ll try to find out how

 

Sometime, when there is nothing left to do

There will still be, doubtless, me and you

Together looking for some thrill

 

In the end, all the troubles will have been gone

All the foolishness said and done

And it’ll be good to be all through

 

Some things we could never understand

Although they happen again and again

But there’s no need to worry about them

‘cause heart and head walk hand in hand

criado por brunovll    22:05 — Arquivado em: Canções

16.1.09

Prazer

Criar, fingir
Tingir, desmoronar
Renascer na arte
E na vida

Dar tempo ao novo
Dar espaço ao velho
Dissecar e secar
A ferida

Arrancar de peito aberto
Frear, se de bom grado
Parar, se mister
Retornar de vez em quando

Tomar o que é seu
Doar o que nunca será
Querer o impossível
Desejar o que não há

Ser o que imagina
Imaginar o que não é
Desafiar a sina
Desacreditar a fé

Amar sem ser amado
Dominar a dor
Minar seu próprio medo
Remodelar o amor

Comer, saber o sabor
Saborear o saber
Beber o leite da flor
Semear o são prazer.

criado por brunovll    22:52 — Arquivado em: Poemas

15.11.08

Redemption Blues

Once I was mad about my baby
It wasn’t so long ago
Once I was mad about my baby
It wasn’t so long ago
Then I got tired of gettin’ into trouble
So I just let her go

Now I’ve turned into a true man
Of will, wealth and hope
Now I’ve turned into a true man
Of will, wealth and hope
Came across plenty of women
And got some good enough gold

I have an only advice to all of you
Just as I sing the blues
I have an only advice to all of you
Just as I sing the blues
Don’t think of becoming a married man
She used to call them fools

criado por brunovll    19:54 — Arquivado em: Canções

10.5.08

Opa!

Trazendo à tona mais uma reflexão de pronunciada relevância para a cultura geral dos povos, visando à valorização do indelével e mais importante patrimônio da humanidade, o conhecimento, proponho uma reflexão coletiva – não necessariamente profunda – a respeito do vocábulo “opa”.

De saída, introduzo meu juízo de valor: o termo é mágico! Sim, é um recurso eficientíssimo de expressão verbal de que dispõe a oralidade contemporânea brasileira. Por quê? Digo-lhe logo. Você já viu uma palavra resumir tanta informação e sentimento em apenas três letras? Ela pode ser utilizada em virtualmente qualquer situação!

Por exemplo, você acorda numa segunda-feira fria, levanta-se e procura seus chinelos (você não é burguês e não dorme de meias!), que, percebe, não estão em frente à sua cama, como de costume. Você diz: “- Opa!” Logo repara, então, que foram parar debaixo da cama, graças a um pontapé distraído e sonolento da noite da véspera. Pois bem, lava o rosto, toma o café, troca de roupa, pega o carro e o trânsito (subentende-se, por elipse, caótico) e chega ao trabalho. Não se passam nem os minutos suficientes para aquecer sua cadeira, recebe um telefonema. Atende. É o chefe: “- Bom dia! [não propriamente bom] Já está pronto o relatório sobre o cliente especial que pedi na quinta?” [Às seis e meia da tarde, antecedendo o feriado prolongado]. Você responde: “- Opa! Como não?” E arrola, em seguida, uma miríade de ressalvas (desculpas) para justificar a precariedade do relatório feito às pressas.

Hora do almoço: passado o fim de semana, você vai fingir que esqueceu que deglutiu praticamente um boi inteiro à companhia dos seus amigos e dos engradados de cerveja no domingo, e vai poder finalmente retomar o regime que planejara. Lê o “menu” do dia: bisteca ao alho-poró, torresminho, tutu de feijão e doce de abóbora para arrematar. Reage: “- Opa! Acho que terça-feira é um ótimo dia pra se começar um regime…”

Findo o expediente e vencido o trânsito – inacreditavelmente, ainda mais caótico que de manhã – você chega em casa. O porteiro abre o portão do prédio, você titubeia entre um aceno e um “boa noite”, prefere o: “- Opa!”. Entra no elevador, encontra o vizinho delegado. Incontrolavelmente, vem à sua mente a última vez que viu sua filha mais nova chegar da balada bêbada com mais três amigas às oito horas da manhã e te oferecendo um resto de “ice” com marca de batom. Você respira, desiste do tradicional “esfriou hoje, né?” e desfere um brevíssimo: “- Opa!”.

 

Você entra em casa, senta no sempre prazerosíssimo sofá predileto, abre as correspondências, malas diretas, contas e coisas afins e estica o braço para ligar a TV no noticiário padrão. O toque do telefone o interrompe. Você atende e ouve o seu nome naquela voz doce e cadenciada que fazia tempos não ouvia, mas nunca esquecera. É a Mara, sua ex-namorada, interando-o de que acabara de se separar e possuía um Côtes du Rhone Safra 2004 cheio e uma cama vazia. Você solta, sem hesitar, o derradeiro: “- Opa!”.

Nestes poucos mas elucidativos exemplos, você pôde ter uma idéia do fantástico repertório de situações em que um “opa” pode lhe ser muito útil. Por essas e por outras que advogo o uso deliberado do recurso em análise. Espero ter contribuído para o desenvolvimento da língua portuguesa.

Nota: Evidentemente, concorrem com o “opa” algumas outras palavras de competentíssimo calibre multifuncional, mas estas invariavelmente pertencem a um grupo (talvez injustamente) considerado menos nobre do nosso universo lexical, o chamado baixo calão. Desta forma, saem em desvantagem no confronto direto.

criado por brunovll    17:46 — Arquivado em: Crônicas

11.4.08

Um peito a ronronar

Meu peito não fala,
cansou.
Meu peito não grita,
emudeceu.

Meu peito não geme
em vão.
Meu peito aprendeu,
petrificou.

Meu peito não dói mais,
calejou.
Meu peito às vezes bate,
quando ninguém ouve.

Meu peito teima,
ensaia brandir…
Meu peito tenta
me dominar.

Meu peito logra
me despertar.
Mas, fraco, não faz
mais que ronronar.

Reles ranço, ruço.

criado por brunovll    23:44 — Arquivado em: Poemas

Palavra

Para lavrar a ata,
para levar a cabo.
Para louvar a Deus
ou ao Diabo:
palavra.

Para vir à Lapa,
para escrever a carta.
Para ouvir o verso
e ler a capa:
palavra.

Para parabenizar,
para o bem ou para o mal.
Para saber o que é bom,
saber usá-la:
palavra.

Para valer o troco,
para virar a lata.
Não para lavar o rabo,
nem a privada:
palavra.

Para elevar o tom.
Para livrar a cara
e para não levar
na cara:
palavra.

criado por brunovll    23:11 — Arquivado em: Poemas

15.12.07

Cem anos de solidariedade

O abstrato é provisório,
o concreto é a sua arma
O sonho é o seu objeto,
seu projeto tem sua alma

Seu traço é pouco reto
é sedutor, insinuante
nos atrai do chão ao teto
numa ascensão pulsante

Seu ofício é de arquiteto
Sua vida, de militante
Sua obra é tão marcante
quanto discreto seu semblante

Sua genialidade
o destaca dos normais,
mas sua generosidade
o devolve aos demais

O seu amor pela vida
é tão apaixonante
que até mesmo ela duvida
ter de deixá-lo algum instante
Minha prece seja ouvida
esteja este bem distante.

criado por brunovll    23:43 — Arquivado em: Poemas

5.12.07

Ganas

Quero entoar o canto
esganiçado dos loucos
e ouvi-lo ecoar
Quero enxugar o pranto
da noiva abandonada
ao pé do altar

Quero envelhecer enquanto
eu vivo e não vejo
o tempo passar
Quero merecer, no entanto
uma paz alegre
quando me cansar

Quero escutar a voz
de um coração
que não quer calar
Quero estar presente
em todas as horas
em qualquer lugar

Quero, bem cá entre nós,
ganhar dinheiro sem
ter de trabalhar
Quero pelo mundo inteiro
conhecer gente
com quem conversar

Quero mais é querer menos
Mas, querendo mesmo,
vou arrematar
Se hoje eu posso e tenho
é porque quis um dia
então, que mal há?

criado por brunovll    21:43 — Arquivado em: Poemas

22.10.07

Não te controles tanto!

De que te serve o autocontrole,
se cerceia ele teu ímpeto?
Se emudece o teu riso
e te rouba o mais ínfimo sorriso.

Se te evita o rompante pranto 
ao ressecar tua primeira lágrima.
Se te acalma o bater no peito,
mas te espanta o frio na espinha.

Se te impede de falar o que queres,
quando teu corpo todo e tua alma
pedem justamente o contrário.

Se azeda tua mais doce simpatia,
se ofusca teu olhar reluzente,
faz-te desistir, sem ter começado.

Cega-te e não rasgas
o disfarce do medo.
Ata-te as mãos e os pés
e, sem ir além,
segues pensando que és mais
sendo só.

De que te serve?
De quê?
Não de mim,
decerto.

criado por brunovll    23:06 — Arquivado em: Poemas

22.9.07

Transgredir, viver, criar

Acordar com o sol invadindo
Sem licença nem permissão
Erguer o corpo ereto
Sem saber o que é retidão

Pôr o corpo em movimento
Não importa a direção
Devagar, dando tempo ao tempo
Preparar a própria refeição

Ingerir e provar o tempero
Degustando a satisfação
Repousar, digerindo por dentro
E sentir a baixa da pressão

Compreender o ritmo do universo
Em estática evolução
Comprimir toda prosa em verso
Por capricho da criação

Explodir num claro retrocesso
As linhas da argüição
Dar passagem à verve que ferve
Ao passar o ponto de ebulição

Registrar o que nunca se perde
Mas está em plena mutação
Só obedece ao princípio que serve
De certeira orientação

Lambuzar-se do mel do diabo
Em busca da salvação
E poder enxergar o outro lado
Quem vem cego na contramão

Conseguir se sentir completo
À companhia da solidão
É fundir o sujeito ao objeto
Não ser mais um na multidão

Seguir o impulso incontrolável da transgressão, sem pensar no desfecho, fim ou conclusão

criado por brunovll    20:03 — Arquivado em: Poemas

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